sexta-feira, 20 de maio de 2011

Angustiar para Ser

Angustiar para Ser
Pensar nos leva a angústia, leva ao medo. Talvez esteja aí o dificuldade de aprender a filosofar, pois saber pensar dar medo, causa angústia. A ignorância nos dar uma sensação de conformidade com o que quero como real, nesta fase me preencho com uma fuga do real para o imaginário. Cria- se uma forma de vida, e não informação do meu existir.
Seguindo a idéia de Kierkegaard, na sua perspectiva de angústia, ele nos alerta para uma fuga, apegar-se num papel, criar uma personagem é vivê-lo como se a vida fosse um conto de fadas, diria fugir do real. Pois para o autor somos seres livre, cheios de possibilidades, mas ao deparamos com essa liberdade, ela gera ao homem a angústia, o que pode levá-lo ao desespero. Neste ato de desespero ele pode fugir do seu existir. Ao invés de encontrar com sua existência ele fantasia seu própria existir. Como a personagem da obra de Clarice Lispector na obra “A hora da estrela” Macabéa que não encontra consigo mesmo na vida, procura ajuda de uma cartomante para dar sentido a sua existência, até então aquela nordestina que não tinha existência diante do mundo carioca, passa a sonhar, ia encontrar seu grande amor, seria mulher de estrangeiro. No entanto o que essa personagem não sabia é que a cartomante só alimentou o sonho, aqui no sentido de (fuga do real), pois uns instantes ela assumiu o personagem de mulher feliz e realizada, esquecendo que sua vida era medíocre e sem grandes anseios de bom futuro. Esqueceu que ser livre é conhecer seu próprio existir, e não transcender para algo que à sua personalidade não pertence.
Na procura pela liberdade, de existir, esqueço que ser livre é lidar com o sentimento de desespero. Deparar comigo mesmo é muito difícil, sentir causa dor, por isso prefiro ver o outro, falar do outro, é mais cômodo e não me dar a certeza que a vida é pura angustia, e quem sabe até procurar uma “cartomante” para me guiar no meu existir. Ser para mim e muito difícil. É constrangedor lidar com o fato de que como humano sou limitado, sou um ser para o fim, ou para a morte, ter contato com a definição de mim é encontrar com meu presente, que segundo o Rubem Queiroz Cobra em seu texto “ Existencialismo” diz : “na angústia, o homem experimenta a finitude da sua existência humana. Todas as coisas supérfluas em que estava mergulhado se afastam deixando-o a nú, como uma liberdade para encontrar-se com sua própria morte (das Freisein für den Tod), um "estar preparado para" e um contínuo "estar relacionado com" sua própria morte (Sein zum Tode). Essa visão existencial do homem, em que ele se conscientiza das estruturas existenciais a que está condicionado e que o tira da superficialidade em que desenvolve seus conflitos. A angústia funciona para revelar o ser autêntico, e a liberdade (Frei-sein) enseja o homem a escolher a si mesmo e governar a si mesmo.”
No entanto a angustiar causa mal estar, mas é necessário, posso dizer, sem medo, que é um mal necessário, angustiar é doloroso, mas nos ensina a tornar humano e estar para o mundo, citando a personagem de Clarice Lispector ,Macabéa,que quando em vários momentos se vê perdida na sua personalidade e procura na angústia um encontrar consigo mesmo, e descobre que morrer é necessário, morrer é existir, aqui diria que a morte existência é necessária a todos, a narradora diz: “ ela estava enfim livre de si. Não vos assusteis, morrer é um instante, passa logo”(pag.105). Mas o difícil para cada ser vivente é compreender que a angustiar e morrer são bens necessário e passam.
E como diz a professora Claudia Murta a angústia, “...para os que conhecem a sensação, sabem como ela é terrivelmente real (...) ... oferece um desafio àqueles que procuram estabelecer, sobre a mesma, distinções estritas, pois ela tende infalivelmente a cair entre as múltiplas distinções”. (...) a angustia esta representado em nosso real, é afeto de nosso existir. Mas como é duro lidar com esse afeto.
Dentre muitos fatores falar da angústia e despertar em mim o desejo de aprender a lidar com o sentimento de angustiar, saber conjugar esse verbo é aprender a nomear cada situação que ele me proporcionar, que o mesmo venho em forma de afeto como diz Lacan, em forma de liberdade como diz Kierkegaard ou como ressurgir, morrer para a existir, para Heidegger. O importante é que não se vive bem sem angustiar. Necessitamos de angústia para o bem viver, para compreender que temos um presente para ser vivido, o passado para ser lembrado e um futuro para idealizamos.
Como nos diz a professora Claudia Murta em seu texto, “ A ANGÚSTIA E O RESTO ENTRE KIERKEGAARD E LACAN” ,

“O fenômeno da angústia, graças a sua ligação com o nada, mostra como o ato humano não se explica nem pela necessidade, nem por uma liberdade abstrata, mais abstrata ainda que a necessidade; graças a seu caráter de ambigüidade que prepara uma ruptura, explicita a mistura de liberdade e determinação que está no pecado e por mostrar como o pecado é, ao mesmo tempo, individual e universal. O fato de a angústia preceder e seguir o pecado permite encontrar na própria angústia um elemento comum entre o pecado original e os outros. Para Kierkegaard todo homem é angustiado, mesmo o mais feliz de todos. A angústia é característica humana. Quanto maior é a sua angústia, mais humanizado se torna o homem”.

Portanto pensar em angústia é acreditar, no desenvolvimento existêncial, na possibilidade de viver para ser humano. Como diz Clarice Lispector na obra a Hora da Estrela, “(...) só não início pelo fim que justificaria o começo – como a morte parece dizer sobre a vida(...) ”(pag.26). A partir do momento que crermos que a morte existencial é a possibilidade de crescimento para o bem viver comigo e com o mundo, podemos morrer fisicamente, entendendo que (...) assim como ninguém lhe ensinara um dia a morrer: na certa morreria um dia como se antes tivesse estudado de cor a representação do papel de estrela(...) ( pag.44).

Bibliografia:
Lispector, Clarice. A hora da estrela. Rio de Janeiro, Ed. Rocco. 1998.
COBRA, Ruben Queiroz. Existencialismo, 04 jun. 2001. Disponivel em < http://www.cobra.pages.nom.br/ftm-existencial.html>. Acesso em: 15 abril 2011.
MURTA, Claudia. Pessoa, Fernando. Angústia e Psicanálise. Vitória, ES: Universidade Federal do Espírito Santo, Núcleo de Educação Aberta e a Distancia, 2011.

PAIXÕES: O ANSEIO DO HOMEM

PAIXÕES: O ANSEIO DO HOMEM
FABIANO MADEIRA LACERDA
Graduado em letras, pela Universidade Iguaçu, graduando em Filosofia pelo Centro Universitário de Araras” Dr. Edmundo Ulson”, especialista e Gestão Escolar, pela Faculdade Capixaba de Nova Venécia.
Resumo
Falar de paixões e uma tarefa difícil, pois é um sentimento inerente ao ser humano, é um busca constante de poder estar sempre em contato com a mesma. Como nos diz Condillac,a  paixão é como "um desejo que não permite ter outros, ou que, pelo menos, é o mais dominante". Ou como nos fala Freud Paixão é percepção do externo. Para Hobbes o que faz o homem e o resultado do mundo externo, é a relação de prazer e desprazer.
Palavras chave: paixão, sujeito, desejo, prazer , desprazer.
Percorrer o mundo das paixões é uma aventura interminável. Não sabemos por onde começar, se é que a mesma existe começo.  Nem mesmo se ela existe. Pensar a paixão é procurar entender um pouco da subjetividade do ser Humano, é buscar no íntimo de cada Ser o que ele pode transmitir  de prazer ao estar em contato com o outro, com seu diferente.
A paixão é lidar com o obscura, com o imaginário, com o fato de que cada ser não tem domínio de se mesmo. E provocar no natureza humana a sensação de prazer e desprazer. Ela de deixa o homem em estado de loucura. A origem da palavra vem do termo grego “pathos” que também dá origem ao termo Patologia, que quer dizer, o Estudo das Paixões.
Como nos diz Leda Motta
 “... os apaixonados estão enamorados ou de si mesmos ou de um outro ideal. E nos dois casos hipnotizados. Sujeitos plenos, sim, porque o amor é um sentimento oceânico, mas pleno de seu próprio discurso amoroso. Perfeitamente logrados, em todo caso, não estarão nunca no objeto”.
A loucura , ou mal estar do homem, permite a ele ir de um estado de prazer ao desprazer, proporcionando ao mesmo um estado de estruturação mental. Ou seja, um momento de consciência de si mesmo. È comum após uma longa paixão o ser humano dizer que aprendeu algo com determinada paixão. Freud, procura explicar que a partir do momento que tomamos consciência de nos mesmo, do nosso Eu, podemos chegar a idéia do prazer e desprazer que uma paixão pode nos causar. A mesma estaria na nossa consciência.
Hobbes em Leviatã, na Primeira Parte: Do Homem
. Sobre a origem interna dos movimentos voluntários chamados paixões e a linguagem que os exprime, nos diz:
[...]
Paixões simples, como as chamadas apetite, desejo, amor, aversão, ódio, alegria e tristeza recebem nomes diversos conforme a maneira como são consideradas. Em primeiro lugar, quando uma sucede à outra, são designadas de maneiras diversas conforme a opinião que os homens têm da possibilidade de conseguir o que desejam. Em segundo lugar, do objeto amado ou odiado. Em terceiro lugar, da consideração de muitas delas em conjunto. E em quarto lugar, da alteração da própria sucessão. Paixões simples, como as chamadas apetite, desejo, amor, aversão, ódio, alegria e tristeza recebem nomes diversos conforme a maneira como são consideradas. Em primeiro lugar, quando uma sucede à outra, são designadas de maneiras diversas conforme a opinião que os homens têm da possibilidade de conseguir o que desejam. Em segundo lugar, do objeto amado ou odiado. Em terceiro lugar, da consideração de muitas delas em conjunto. E em quarto lugar, da alteração da própria sucessão.
[...]
O porquê, o como e o desejo de saber chama-se curiosidade, e não existe em qualquer criatura viva a não ser no homem. Dessa forma, não é só por sua razão que o homem se distingue dos outros animais, mas também por esta singular paixão.
[...]
A paixão é um prazer, ela se manifesta de formas diversas, pois a sensação de prazer em cada ser se manifesta no sujeito de forma física e psíquica, proporcionando o prazer, o que para Freud estaria no mundo exterior, evidentemente pela sua filiação ao mecanismo.
Freud em sua teoria do prazer, dividiu o entendimento do homem em conjuntos de neurônios, citarei aqui somente o terceiro. Este Terceiro conjunto ele o nomeou de ômega, onde ressaltou o fato de que seus “ estados de excitação dariam como resultado as diferentes qualidade, ou, seja seriam as sensações conscientes”como diz o professor Bocca. Dessa forma pode transformar as informações externas, em qualidades para a formação de cada sujeito. Somos um conjunto de neurônios que percebe , que se encontra em constante contato com o mundo, buscando assim uma melhor relação entre o que nos proporciona prazer e desprazer, o que nos leva a busca da paixão e do bem estar.
Boca diz:
“ registremos desde já que a própria” tradução” das qualidades em quantidades que é operada por esse terceiro sistema permite mais uma vez oportunizar a função primaria do sistema, que é a de por mais essa via, escoar os estímulos, as quantidades excessivas (portanto, o desprazer), conferindo-lhes qualidades, tornando-os conscientes, instaurando o processo secundário. Sempre operando sobre estímulos que rompem e alcançam a terceiro sistema sem serem barrados.
Estamos condenados a estarmos neste mundo em constante mudança na busca de seleções, na tentativa de sabermos escoar o que a nos não é necessário, pois temos que ressaltar em nossa memória aquilo que a nos nós da mais prazer, escoar de nossa memória o desprazer. No entanto antes de fazermos este escoamento, temos que já termos tirado proveito do mesmo.      Nessa tentativa de aprendemos, passamos a pensar como             Condillac, que imagina o homem como uma estátua, privada de toda sensação (tábua rasa) e que, em dado momento, começa a ter uma sensação de olfato. A sensação odorosa (de uma rosa) torna-se memória, quando, afastada a primeira sensação e sobrevindo outra, a primeira permanece com uma intensidade atenuada.
             Comparando a sensação atual com a sensação lembrada, nasce a distinção entre presente e passado; a distinção entre atividade (na memória) e passividade (na sensação); a consciência, o eu, que é uma coleção de sensações atuais e lembradas; o juízo, que é comparação entre sensações presentes e passadas; a reflexão, isto é, a direção voluntária de atenção sobre uma determinada sensação - idéia ou relação, juízo - em uma série de idéias e juízos; a abstração, isto é, a separação de uma idéia de outra; e a generalização, isto é, a capacidade de noções gerais
            Diz Condillac:
 “ Se o homem não tivesse qualquer interesse em se ocupar de suas sensações, as impressões que lhe fizessem os objetos passariam como sombras e não deixariam nenhum traço. Depois de muitos anos, ele seria como no primeiro instante, sem ter adquirido qualquer conhecimento e sem outra faculdade além do sentimento(1993,p.33)
            Nesta perspectiva  a paixão é a soma de tudo que a de melhor no sujeito que nasce para a vida, que ela seja externa, que ela venha de dentro de cada sujeito, que ela seja a memória do vivido, tudo isso importa. No entanto o que cabe a cada homem e a vontade de sentir paixão pela vida, desejo e prazer de conquistar o desconhecido, mesmo que este lhe cause medo. Portanto o que move o homem e a sensação da busca pelo que lhe provoca prazer, paixão pela vida. Paixão é ter memória agradecida por poder experimentar estar em contato com o prazer e desprazer, com o ódio e o amor, com a harmonia e desconstrução do bem estar. É saber escoar de si tudo que lhe provoca mal, e recolher do mundo aquilo que lhe dar prazer e paixão.
Conclusão:
A busca por definições, acaba sendo muito difícil, recorrer a grandes pensadores é uma grande alternativa, pois estamos em constante formação cultual e intelectual. Falar de paixões é desafiador e entender que o homem esta para vive-las, quer encontrá-las. Quer saber o que prazer e desprazer. Mas para cada Sujeito a paixão e a contribuição de todos os sentimentos e valores, e a gratidão ou a recompensa por está em busca de uma formação plena para a vida.
       
  REFERENCIA BIBLIOGRAFICA:
BOCCA, Francisco verandi. Paixões e psicanálise.Vitoria.2010
CONDILLAC,E.B. 1979: Textos escolhidos. S.P., Abril Cultural.
MOTTA, L. T. da Introdução ao livro Histórias de Amor. Julia Kristeva. Rio de Janeiro. Paz e Terra