segunda-feira, 21 de junho de 2010

ILUSÕES DA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO


Como definição de Conhecimento podemos estabelecer que este é a capacidade adquirida por alguém de interpretar e operar sobre um conjunto de informações. Essa capacidade é criada a partir das relações que ele estabelece sobre o conjunto de informações, e desse conjunto com outros conjuntos que já lhe são familiares (incluindo experiências, impressões, valores, crenças, etc.), que lhe permitem compreendê-los e tirar conclusões sobre ele e a partir dele.
Newton Duarte parte dessa premissa pra corroborar as idéias de Perrenoud, afirmando que as aprendizagens que o indivíduo adquire por si mesmo são mais desejáveis, pois são vivenciadas, sendo que aprender sozinho contribui para o aumento da autonomia, em contrapartida, não descarta as possibilidades da educação escolar, que atua abrindo leques de opções para a busca do conhecimento.
Toda informação que vise a busca do conhecimento deve partir do interesse pessoal de cada indivíduo e muitos são os caminhos que despertam para esses interesses. Os estímulos são inúmeros, porém nenhum supera o interesse e a necessidade pessoal e, nesse contexto, a educação formal, a transmissão, deve ser voltada para o ensinar a aprender, posto que, de posse de ferramentas que facilitem a busca e despertem o interesse, é natural que a abrangência das aprendizagens tendam a crescer.
É imperativo que quem conhece pode estabelecer novas relações, tirar novas conclusões, fazer novas inferências, agregar novas informações, reformular significados. Ao exercitar o Conhecimento, ele se consolida e cresce.
Toda forma de conhecimento, ou de acesso a este, passa naturalmente pela Informação. Vivemos na era da informação. Há informação sobre previsão do tempo, esportes, diversões, finanças... Informação significa fatos: é o tipo de coisa presente em livros, que pode ser expressa em palavras ou imagens. A informação pode, portanto, vir em várias formas: verbal, visual, por ondas, etc. Portanto, temos acreditado, como a primeira ilusão apresentada por Duarte na sociedade do conhecimento que, diante de tamanho volume dessas informações, estas se tornaram democráticas e que com isso o conhecimento nunca esteve tão acessível como hoje, mas se faz necessário estabelecer o quão democrático tem sido este acesso.
Na atualidade, a informação tem assumido um papel de grande relevância social, uma vez que os avanços da ciência se convertem em soluções para nosso cotidiano e estão presentes desde um setor produtivo até nossas atividades mais corriqueiras e particulares.
Democratizar a informação passa pela ampliação do acesso, tanto à recepção quanto à emissão do conhecimento. A formação de leitores e a inserção cultural das populações nos mais diversos assuntos, deve buscar a disponibilização de novas tecnologias de informação e comunicação às comunidades e promover o processo de inclusão digital das populações.
Ainda sobre as ilusões do conhecer, quatro novas questões se apresentam. Em um segundo momento, apesar de uma nova linha pedagógica entender o senso comum como vital para o aprender a aprender, se faz necessário entender que o mercado, de um modo geral, não admite esse conhecimento não teórico e sistemático, como avalista de uma possível inserção no mundo do trabalho, focando a formação em detrimento da experiência cotidiana.
O conhecimento não faz sentido se não houver sua disseminação, ou seja, é uma negociação, são “contratos culturais” em que na existência do ‘outro’ a informação não encontra eco.
Outro grande engano ou ilusão é o pensar que todo conhecimento têm o mesmo valor, haja vista que o conhecimento dito acadêmico ainda agrega valores não creditados ao conhecimento popular, desacreditando assim toda a experiência vivenciada pelo indivíduo que não frequentou bancos escolares e determinando uma hierarquia a qual é visível e vivenciada na busca da inserção ao mercado de trabalho.
Por fim, a crença de que através das experiências educativas se cultivem valores que sejam abrangentes nos variados tipos de conflitos, não conferem realidade aos grandes males da humanidade; outros interesses que transitam pelos campos da política, economia, dominação, imperialismo, etc, estes sim são causa e efeito dos males sociais, que impulsionam as guerras e agravam as diferenças sociais.
Como conclusão, o grupo consentiu que, de posse do conhecimento, se faz necessário saber lidar com ele, aprender a aprender. Estamos vivendo um tempo em que todas a informações se misturam com muita rapidez e os indivíduos não conseguem conceber o “fazer prático” diante de seu efeito transformador. O processo educativo só se faz efetivo quando provocador e causador de questionamentos que induzam à crítica como caminho para a práxis.